19/07/2016

Economia: Desinvestimento da Petrobras põe em risco 8 mil empregos no RN, diz Sindipetro!!!


EconomiaDesinvestimento da Petrobras põe em risco 8 mil empregos no RN, diz Sindipetro!!!
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O Rio Grande do Norte é o estado mais prejudicado pela venda de poços maduros de petróleo, anunciada pela Petrobras em áreas do Nordeste e no norte do Espírito Santo, segundo as entidades que representam os trabalhadores do setor. Ontem (18), a petrolífera não enviou representante à audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, em Natal, para tratar dos desinvestimentos da empresa e seus respectivos efeitos. Na ocasião, os sindicatos cobraram transparência da estatal e criticaram a "falta de ação" do governo do estado junto à bancada federal potiguar e a todos os setores envolvidos, para buscar reverter a decisão.

O RN concentra o maior número de concessões colocadas à venda pelo projeto Topázio, como ficou denominado o plano de vendas anunciado em março. Um total de 38, distribuídas entre as áreas Riacho da Forquilha (34) e Macau (4). Ao todo, a empresa colocou à venda 104 concessões de poços maduros onshore (em terra) e de águas rasas.

"É o estado mais prejudicado potencialmente, em números, terá o maior desemprego. A Petrobras é a maior empresa no estado", disse o diretor jurídico da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Leonardo Urpia.

A preocupação de alguns deputados estaduais vai além dos mais de oito mil desempregos e da redução da distribuição de royalties que a saída da estatal poderá provocar. No ano passado, municípios e governo deixaram de recebeu R$ 163 milhões em royalties, em comparação a 2015 (uma queda de cerca de 30%). No primeiro semestre de 2016, a queda seguiu acentuada e o estado perdeu mais 32% em comparação com o mesmo semestre de 2015 (R$ 61,8 milhões).

A Petrobras é o maior arrecadador de impostos do Rio Grande do Norte. Ano passado, foram R$ 855 milhões recolhidos em ICMS, o que corresponde a 18,89% de toda a arrecadação no mesmo período. Os investimentos e as operações da estatal no RN representam, de acordo com o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) 47% do PIB (produto interno bruto) industrial potiguar.

"O Rio Grande do Norte é o mais atingido e a gente não vê o governo do estado, nossa classe política, tomar uma atitude. Estão omissos. Ou é falta de conhecimento ou de responsabilidade", declarou José Araújo, presidente do Sindipetro. O sindicalista sempre defende que a justificativa da venda de ativos não se sustenta no argumento da dívida da Petrobras, adquirida principalmente em 2010, quando a estatal usou créditos para investir no pré-sal. Para ele, o aumento da dívida aconteceu por causa do aumento do dólar, e que, somente com a valorização do Real frente à moeda americana, o valor da dívida já está caindo.

O Sindipetro ainda reforçou que a Petrobras espera conseguir com as concessões entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, enquanto a dívida ultrapassa os R$ 400 bilhões. "Somente as 38 concessões daqui do estado, com 15 mil barris por dia, rendem US$ 150 milhões por ano. Ou seja, estão entregando de graça, nossa riqueza", aponta Araújo.

Mineiro alerta que desinvestimento vai prejudicar economia potiguar

O deputado Fernando Mineiro (PT), propositor da audiência pública, lamentou a ausência da Petrobras e reforçou que o estado precisa tomar conhecimento do que está em jogo e quais são as perdas. “A petrobras está aqui há decadas explorando uma das nossas principais riquezas. Esse desinvestimento terá um impacto muito grande na economia do Rio Grande do Norte. Se a Petrobras está com dificuldade para trabalhar, em termos de retorno, imagina outras empresas menores, que devem comprar esses ativos”, afirmou.

O deputado ainda reclamou da “falta de ação” de governo e prefeituras - de acordo com ele, as mais prejudicadas pela saída da empresa. “Falta visão do que está em jogo, saber o papel da exploração para a economia do estado. Royalty é apenas um aspecto da exploração, tem os impostos, a mão de obra. Não há garantia de que as empresas que vão adquirir esses ativos vão melhorar, conseguir manter isso”, salientou.

O deputado Hermano Morais (PMDB), que acompanhava a audiência, se mostrou preocupado com os dados apresentados. “É uma perda muito grande para o estado. Algo muito preocupante”, disse à reportagem.

“O desmonte da Petrobras está começando pelo nordeste, pelo nosso estado. Não podemos permitir isso”, discursou a senadora Fátima Bezerra (PT), que sugeriu a criação de um projeto de lei com um novo marco para a Petrobras.

As perdas e os danos

Levando em conta a produção estadual e o preço atual do barril de petróleo, a Petrobras venderia as reservas de petróleo em terra, no Nordeste, por valores entre US$ 0,58 e US$ 0,77 - um absurdo, de acordo com Leonardo Urpia, diretor jurídico da FUP. O cálculo foi feito levando em conta as reservas no subsolo potiguar e o valor que a empresa espera obter com a venda dos ativos.

Alguns segmentos defendem que a Petrobras deve se livrar de poços maduros que produzem bem menos que o pré-sal, para poder focar investimentos nas produções mais vultosas. Para fazer uma comparação, todos os campos do Rio Grande do Norte produzem em média 56,2 mil barris por dia. Um único poço no pré-sal produz 50 mil barris no mesmo período. Apesar disso, os sindicalistas defendem que a Petrobras não tem prejuízos nos estados nordestinos - pelo contrário, os poços geram receitas de R$ 903,3 milhões ao ano. Somente em abril, as concessões que estão à venda geraram R$ 90,31 milhões em óleo e R$ 4,13 milhões em gás natural.

O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Ricardo Pinheiro Ribeiro também reforçou que, a pressão é para que a empresa entregue poços prontos, com toda infraestrutura à iniciativa privada. Ele lembrou que há mais de 659 blocos que podem ser leiloados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a agência reguladora do país. Eles correspondem a mais de 82%. Porém, as empresas vencedoras teriam que atuar desde o início na pesquisa e prospecção, como a Petrobras fez com os poços atuais. “Não temos problema de ter investimento privado. A iniciativa privada não quer entrar? Por que não vai por esse caminho?”, questionou.

Ele ainda reforçou que, mesmo com a venda dos poços, a Petrobras continuaria responsável pelo abandono deles - termos utilizado para o fechamento das unidades, que demandam milhares de dólares em gastos.

Os diretores sindicais reforçaram que, além dos investimentos, a Petrobras tem uma responsabilidade social para com o Nordeste e o país. Ao longo de 43 anos, de acordo com eles, o RN recebeu R$ 9 bilhões e foram tirados mais de 1 bilhão de barris de petróleo de seu solo. José Araújo reforça que, além dos empregos, a empresa deixa no estado vários projetos sociais. Com a possível saída da empresa no estado, diz ele, mais de 150 mil pessoas serão afetadas de algum modo.

PETROBRAS NO RN, NÚMEROS

2010
2,8 mil trabalhadores próprios da Petrobras
15 mil terceirizados
40 mil indiretos

2015
2,5 mil próprios
8 mil terceirizados

2016 (estimativa)
1,8 mil próprios
4 mil terceirizados

Atividades de sondagem
2009/2015
Sondagem de produção: 42
Sondagem de perfuração: 27

2016:
Sondagem de produção: 7
Sondagem de perfuração: 3

Redução de investimentos em exploração e produção: 37%

Redução de investimentos em Construção de Poços Terrestres: 60%

ICMS pago pela Petrobras ao RN

2005 - R$ 253 milhões

2010 - R$ 468 milhões

2014 - R$ 874 milhões

2015 - R$ 855 milhões

40% da Petrobras pertence à União

Produção média da bacia potiguar em 2015: 56,2 mil barris/dia.
MATÉRIA: NOVO JORNAL

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